coworking

A Gentalha do Pichel tem manifestado nos últimos anos o seu desacordo com o projeto no monte do Viso que começou na era Fraga. Este desacordo deve-se a fatores económicos, culturais e ecológicos que estám relacionados e que é importante entender no seu conjunto.

Estamos perante um projeto já caro que o PP ideou e que o bipartido nom paralisou, que custava 100 milhons de euros inicialmente mas que acabou por precisar de um orçamento de 500. Isto sem contar com os imensos gastos que provoca a manutençom -sobre 60 milhons de euros anuais-, o que é especialmente alarmante se tivermos em conta que nem as galegas nem as compostelanas tínhamos essa prioridade “cultural”.

Na nossa associaçom pensamos que há outras necessidades culturais na Galiza: a revalorizaçom do património material e imaterial, a restauraçom e a conservaçom da nossa herança arqueológica, arquitetónica, etnográfica, documental e artística.

Pensamos que todo esse dinheiro pudo e pode melhorar e incrementar as instalaçons com fins culturais ou associativos do país, quer locais de ensaio, centros sócio-culturais, salas nom elitistas para teatro e concertos. Mas todo indica que, entre a “austeridade” seletiva e a hipoteca do Gaiás, Fraga terá o seu mausoleu para as elites foráneas enquanto a cidade ficará no campo-santo da cultura popular e de base galega.

Na nossa associaçom sempre olhamos com preocupaçom o que ainda nos pode vir com o monstro do Peter Einsemann: a rotura do equilíbrio entre o urbano e o rural, os futuros impactos urbanísticos e ambientais, quer via destruçom das Branhas de Sar quer construçom dum teleférico, que mesmo chegou ameaçar a condiçom de Cidade Património de Compostela.

Para descanso de todas parece que a crise económica paralisou estas iniciativas mas nom paralisou os gastos e recursos precisos para manter estas instalaçons. É por todo isto que convidamos à reflexom sobre o futuro incerto deste projeto contestado já desde todos os frontes sociais e culturais, mas nom somos as únicas que procuramos umha soluçom, vemos com estupor como se ofrecem espaços de coworking no Gaias por 120 euros por mês. Todo seja dito, já em segundo prazo de recepçom de solicitudes, que fica aberto até novo aviso, o que nos pode dar umha ideia do tremendo número de artistas solicitantes que estam desejosos de formar parte de esta ‘prometedora’ iniciativa.

Isto é, deixam-te sentar-te lá, no ‘ Centro de Empreendemento Cultural e Criativo da Galiza’ para ‘multiplicares as tuas possibilidades de negócio’… por um preço que socila entre os 60 euros mês e os 120. Nom foi já o 1 de abril?