Contra as pseudoterapias

14 de Janeiro de 2020

A Comissom de Cultura Científica da Gentalha do Pichel vem de tirar um texto reflexionando sobre a proliferaçom de pseudoterapias que, infelizmente, se está a dar na nossa sociedade. É o primeiro dumha série de textos que analisarám várias das pseudoterapias mais habituais, os seus princípios e os riscos associados ao seu uso.

contra as pseudoterapias

CONTRA AS PSEUDOTERAPIAS

A Comissom de Cultura Científica da Gentalha do Pichel começou a andar este ano com o objectivo de divulgar a o pensamento científico e reinvindicá-lo como um bem comunitário a proteger e desenvolver. O conhecimento elaborado de maneira científica é honesto porque assume a possibilidade de ser declarado falso ao ser contrastado com a experiência. Por dizê-lo doutro modo, o conhecimento científico nom é a verdade absoluta, mas é o que mais vezes demonstrou que nom é falso.

Esta é a maneira em que a ciência avança, desbotando as teorias que nom concordam com os experimentos e substituindo-as por outras que explicam todos os fenómenos conhecidos até o momento. Se um novo experimento ou fenómeno nom é explicado pola teoria, esta deve ser substituida. Por isso, a ciência nom está contra as explicaçons novidosas, criativas ou alternativas, mas ao contrário, promove-as. Só com umha condiçom: estas devem contemplar a possibilidade de serem declaradas falsas se os experimentos assim o demonstram.

A medicina é umha rama da ciência e, polo tanto, está sujeita á condiçom anteriormente indicada. Os procedimentos que se levam a cabo no centros médicos e hospitais, as medicinas e tratamentos que neles se receitam… fôrom elaborados cientificamente. A comunidade científica é tam honesta sobre eles que, longe de promocioná-los como remédios milagrosos, dispensa-os com umha listagem de efeitos secundários adversos que podem produzir e que fôrom observados em exaustivos estudos experimentais.

Deveria ser motivo de orgulho termos sido capazes como sociedade de pormos ao serviço do povo todo este conhecimento, meios, infraestruturas, formaçom e profissionais para cuidarmo-nos da melhor maneira que conhecemos. E deveríamos também, como activistas de esquerdas, luitar por melhoras nestes serviços e rejeitarmos as constantes tentativas de desmantelamento que o poder económico do capital está a levar a cabo através dos seus representantes políticos para acrescentar o seu lucro.

Por que, entom, umha parte da nossa sociedade mui ligada a movimentos de esquerdas está a abraçar terapias alternativas com nula base científica e que renunciam a provar a sua eficácia de maneira sistemática? A homeopatia, a medicina aiurvédica, a acupuntura, as constelaçons familiares, a hipnose e outras pseudoterapias tenhem em comum o seu rejeitamento a realizarem estudos científicos sobre os seus princípios e a sua efectividade para além do “a mim funciona-me”. Mesmo quando algumhas empregam linguagem ou referências científicas para legitimar-se, continuam sem aplicar a metodologia da ciência. Som, polo tanto, dogmas.

As razons para o surgimento deste fenómeno som, ao nosso ver, múltiplas. A começar pola degradaçom do sistema público de saúde comentada anteriormente, que fai que a atençom às pessoas seja cada vez mais deficitária (menos pessoal e menos tempo de atençom a cada paciente dá como resultado, ademais dumha atençom médica inadequada, umha sensaçom de deshumanizaçom). Além disto, o desenvolvimento dumha indústria farmacêutica multimilhonária com enorme poder e que se tem provado absolutamente falta de escrúpulos fai que as pessoas mais conscientes tendam a associar medicina científica com lucro empresarial.

Mas as pseudoterapias implicam um risco para a saúde pública, já que tendem a substituir tratamentos provados cientificamente por outros que, no melhor dos casos, som inócuos. Existem casos documentados de mortes por cancro nos que as pessoas doentes abandonárom o tratamento de quimioterapia para tentar combater a enfermidade com mudanças de dieta ou outros remédios pseudocientíficos [1]. Também por substituir antibióticos com homeopatia [2]. Detrás destas pseudoterapias hai, sempre, a procura de lucro; nom é casualidade que todas as farmacêuticas tenham a sua linha de produtos homeopáticos.

A nossa aposta passa por luitarmos por uns serviços públicos mais humanos e dotados do pessoal e meios necessários. E por reivindicar que as empresas privadas deixem de fazer negócio com a nossa saúde. Em definitiva, queremos um sistema sanitário ao serviço do povo.

Este texto é o primeiro dumha série na que iremos tratando diferentes pseudoterapias com presença na nossa sociedade e analisando os seus princípios anticientíficos e os perigos que implicam para a nossa saúde.

[1] Hundreds of Spanish scientists ask for action against pseudoscience “that kills”. El País. Javier Salas, Oriol Güell, 2018.

https://elpais.com/elpais/2018/09/24/inenglish/1537804324_083016.html

[2] Homeopaths warn of further tragedies. BBC News, 2000. http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/702699.stm

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