Hás de cantar na língua que falo” … e, recolhendo as vozes de onte, havemos de cantar a língua de amanhá, entoando em contra das cifras que catapultam o galego à escuridade. Havemos de achegar luz sobre este eixo vertebrador da nossa cultura graças à ferramenta coletiva que é a poesia oral, e nom será a primeira vez que o consigamos.
A nossa língua resistiu às proibiçons e travas coloniais, creando e transmitindo a sabedoria coletiva do povo através da poesia oral: música, língua e memória.
As gargantas de mulheres cantadoras som símbolo de resistência e apoderamento, a desafiar os séculos escuros narrando a vida e a quotidianidade das labores, das festas ou das emoçons próprias.
A cantiga é uma arma, que cantava o Grupo de Acção Cultural – Vozes na Luta alá polo ano 75. E é que a força política que construímos desde o cotiá habita os festejos. Herdamos das cantadoras, das vozes de onte, nom só a língua para o amanhá mas também a energia da autogestom da que surgem as foliadas, pois umha foliada, para sê-lo, contrói-se e fortalece-se nos vencelhos comunitários.
Neste 2025 celebramo-nos como “povo que aínda canta”, numha homenagem que vém tarde, mas vém; que surge do boom das músicas de raíz no mainstream, mas surge; que chega quando a maioria das portadoras que recuperarom para nós a cadeia de transmissom já nom estám, mas chega; e que responde, nom há que obviá-lo, ao trabalho dum forte associacionismo de base galego que leva décadas a turrar por um lugar para o nosso património inmaterial apesar das administraçons e contra vento e maré.
Por isto, queremos rachar com o individualismo e a personificaçom, queremos celebrarmo-nos em coletivo, sem nomes próprios, como comunidade viva que constrói a sua música, os seus códigos, o seu futuro, irremediavelmente, em galego.

“Ajuda-me companheira,
ajuda-me camarada,
ajuda-me companheira
a fazer a foliada”.

A Gentalha do Pichel é umha associaçom cultural de base que leva 21 anos alicerçando, de jeito comunitário e autogerido, espaços onde a língua é o eixo vertebrador de todo o agir político do nosso ativismo cultural.

Dentro deste agir, as foliadas, como lugar de transmissom destes valores, som um piar fundamental. As foliadas como festejos abertos ao encontro e à participaçom direta e coletiva desde um fundamento central: o idioma próprio. As foliadas como espaços autogeridos onde a fala se nutre do que expressamos em cada canto, da prosódia nas entonaçons, do vocabulário na rima, dos códigos transmitidos de geraçom em geraçom no bailar. As foliadas como espelho de todas as esferas da vida, nas quais compre analisar o que cantamos, como cantamos e desde onde o cantamos, para garantir a transmissom ligada à cultura própria, à igualdade de género, à justiça social ou ao cuidado ambiental.

Seguimos a dar passos avante para chegar a mais espaços, ocupá-los, defendê-los, fazê-los mais nossos do que nunca; nom recuaremos nem deixaremos passo à castelhanizaçom dos lugares que nos som próprios, que a nossa voz encha todo desde o coraçom corpo afora.

Todas nós somos agentes ativas e protagonistas na transmissom do nosso património imaterial, cantando a língua que falamos, falando a língua que cantamos, recolhendo as vozes de onte para cantar, mao a mao e gorja a gorja, o futuro que queremos!

Monolingue minha mai
Monolingue minha avoa
Como nom ser monolingues
Se ainda temos memória