Nom ardem as pedras e o mato, arde a terra e a cultura, e com elas ardemos nós!

Vimos de comprovar como boa parte da melhor montanha galega acaba de ser devorada completamente polo lume: o teito da Galiza, a nossa Pena Trevinca. Num lume nem sequer reconhecido pola Junta no seu momento, sem meios, pondo em risco um bosque de mais de 8000 anos como o Teixadal de Casaio, espaços de suma importância natural e cultural, devorando o nosso património industrial como a Mina de Valborraz ou o quartel-general da Federaçom de Guerrilhas Leom-Galiza.
Vivimos tempos de máxima mudança. Nunca na história o devir foi tam rápido, nunca o capitalismo levou o planeta a extremos tam brutais em todos os eidos, tanto o climático como a possibilidade de contemplar um genocídio em direto na Palestina.
Concentram-nos nas cidades, apoiando de maneira ativa um urbanocentrismo cultural que elimina a vida no rural, que cria lógicas de consumo perversas que devem devorar esse rural para se perpetuar. Este devir urbano capitalista gera vidas de constante estresse, individualistas e egoístas. Algo que mesmo chegou ao montanhismo, com as suas lógicas de consumo e de competiçom onde só importa chegar quanto antes aos cumes ou fazer quantos mais melhor.
Perante tudo isto, nasce a Comissom Montanheira da Gentalha do Pichel porque acreditamos nos centros sociais, na vida em comunidade e na terra. Por uma vida pausada, de amor pola terra, pola cultura e polo nosso, fora das macrogranjas humanas que som as cidades, que geram territórios depredados e coloniais. Perante isto, a montanha igualitária, sem exclusom social de classe, género ou raça. Com autogestom, em defesa dos montes comunais, da recuperaçom do nosso, do apoio mútuo, da açom direta e do respeito pola nossa tradiçom.
Luitaremos percorrendo os montes como fixo no seu momento a guerrilha, como fixérom os nossos devanceiros, sentindo-nos herdeiras das xeiras do Seminário de Estudos Galegos e dos clubes de montanha libertários. Contra lumes, eólicas, eucaliptos, minas, celulosas, encoros e demais navalladas à nossa terra. Defendendo a diversidade contra um capitalismo homogeneizador e globalizador. E farémo-lo achegando a sociedade à montanha, ao monte, ao rural, à cultura, aos dez mil rios e roteiros do país, enchendo de foliadas os cumes!
Queres ser parte? Vem ao nosso roteiro fundacional ao Pedroso.
