ALGUMHAS CONCLUSONS SOBRE A ANÁLISE DE GÉNERO DA GENTALHA DO PICHEL

14 de Abril de 2020

A começos do ano 2018 botava a andar o Observatório de igualdade da Gentalha do Pichel como organismo interno encarregado de garantir a deteçom e eliminaçom de violências machistas dentro do local social e nas interaçons que nele se produzem assim como de abrir um espaço de debate e reflexom interno que nos permitisse artelhar estratégias de trabalho feminista.

Em linha com isto, umha das primeiras necessidades que percebemos foi a de fazer um diagnóstico o mais detalhado possível das desigualdades e/ou situaçons de violência e opressom patriarcal que se estavam a dar no centro social.

Para o devandito cometido, organizamos um sistema de inquéritos anónimos nos que tanto ativistas como usuárias habituais do espaço, devíamos responder a um conjunto de ítems que nós tomamos como indicadores.

Estes inquéritos desenvolverom-se durante os meses de novembro e dezembro e a análise dos resultados realizou-se o passado mês de janeiro.

Umha vez debatidos e analisados conjuntamente em assembleia do Observatório, queremos trasladar-vos as seguintes resutados:

  1. Do total de respostas, 73% identificárom-se como mulher, 22% como homens e 5% como outras identidades.

  2. A maioria de pessoas que respostaram como utentes corresponde-se com alunado dos cursos, seguido por pessoas que frequentam o centro social para acudir a reunions doutros coletivos.

  3. Maioritariamente considera-se que há formaçom específica em género e que o local é um espaço seguro mas é susceptível de melhora na gestom de conflitos de género.

  4. No referido às sócias ativas, o número de respostas foi baixo.

  5. Polo geral, nom se referem grandes sesgos de género entre as ativistas mas sim se pode apreciar no ítem referido à “carga mental”. Neste, um maior número de mulheres manifestou ter-se sentido depositária de tarefas/responsabilidades que inicialmente nom assumira e mostra-se umha maior tendência a elas prepararem as reunions com antelaçom.

  6. No tocante às comissons, responderom de jeito coletivo três das seis comissons ativas no momento de realizar os inquéritos.

  7. Na análise coletiva, volve a repetir-se a tendência individual de terem as mulheres mais carga mental manifestada em preparar a ordem do dia e levar o peso das reunions ou realizar lembretes de tarefas pendentes.

  8. Conserva-se também certa divisom sexual de tarefas através duns resultados que confirmam que a presença de mulheres em jornadas de bricolagem e obras ou em tarefas de desenho digital é baixa.

  9. Sinalar que o inquérito apresentou alguns problemas de caráter técnico (perguntas de resposta múltipla que nom permitia mais de umha resposta ou perguntas que obrigavam a responder). Aliás, há ítems difíceis de valorar pois som questons que variam muito no tempo e mesmo som subjetivas. Teria sido ótimo ter provado o inquérito previamente com umha mostra que permitisse validar as perguntas antes de fazê-las públicas.

Em síntese, os inquéritos servirom-nos para trabalhar dous grandes aspectos:

  1. Permitiu-nos constatar mediante dados contrastados com utentes e ativistas os principais aspectos a melhorar para criarmos um espaço seguro e igualitário, a saber: dotar-nos de protocolos para a gestom de conflitos derivados da violência machista e desenhar um plano de actuaçom que permita reverter a tendência à divisom sexual de tarefas militantes, incluíndo as relativas à carga mental.

  2. Analisando o baixo número de respostas aos inquéritos por parte de ativistas e incluso de três das seis comissons, preocupa-nos que a igualdade nom seja  ainda um eixo prioritário para o conjunto das pessoas que conformamos este projeto.

  3. Embora detectamos erros na formulaçom dalgumhas questons, foi um primeiro passo na adoçom de ferramentas sistemáticas que, mediante dados objetivos e contrastados, nos permitem fazer um diagnóstico da realidade mais amplo que o derivado das sensaçons ou casuísticas individuais do núcleo ativista.

 

Por todo isto, do Observatório de Igualdade seguiremos a trabalhar os aspectos sinalados co objetivo de que a Gentalha seja nom apenas um espaço seguro para todas mas também um projeto aliado e ativo partícipe da luita feminista.

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a comissom de cultura científica perante a crise do coronavírus

23 de Março de 2020

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A Comissom de cultura científica da Gentalha vem de publicar umha análise sobre a crise do coronavírus:

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O CS O Pichel interrompe o seu funcionamento durante 15 dias

13 de Março de 2020

O Pichel é um espaço de criaçom, de partilha, de luta e de festa; fervedoiro de atividades e lugar de reuniom de coletivos e comissons. Por isso detemos o nosso funcionamento durante 15 dias para colaborar ao esforço para frear a expansom do virus. Nom haverá atividades, nem cursos, nem juntanças, nem concertos ou foliadas, mas as nossas redes de trabalho seguirám a funcionar, aguardando pola calor para bailar nas ruas e voltar-nos a juntar.

Passado esse tempo voltaremos a avaliar a situaçom.

Obrigadas pola vossa compressom e o vosso apoio. O debilitado (para benefício dun poucos) sistema de saúde público e as suas trabalhadoras vam percisar da colaboraçom de todas.

#FicaNaCasa e #LavaAsMaos

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A comissom de meio natural organiza umha visita guiada a ZEC da costa do Dexo.

3 de Março de 2020

O domingo 15 de março às 9.00 saída do C.S. O Pichel. Info e reservas (20lugares máximo) neste enlace:
https://docs.google.com/forms/d/1lEIiD0W0FsBzbBapxmbXee-qFH5YIpGsYQaQxkWrL1U/edit?fbclid=IwAR1v1mHpMooYtqmNktrzjntlrcOuwxBirKc3gqa_k1qHS6FQPyqwo-sO6hUroteiro dexo

agenda do mês de fevereiro

6 de Fevereiro de 2020

Mês de entruido no Pichel!
Em fevereiro damos início às atividades do ano Carvalho Calero e como sempre desfrutaremos da música ao vivo e da festa. Participa!
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primeira estalotada do ano

27 de Janeiro de 2020

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Nesta sexta 31 de janeiro temos no Pichel a primeira estalotada do ano com a murga “Os estalotes”. Será desde as 22h00.

MONOGRÁFICOS DO PICHEL: INVERNO 2020

15 de Janeiro de 2020

Dúvidas e inscriçons em cursos@gentalha.org

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FEVEREIRO

• Maneo maneado.

Sexta- feira 7 de 18.30 a 20h. Preço 22€.
Este dia o curso estará dirigido a pessoas já iniciadas no Maneo que quiserem ampliar o seu repertório de pontos e voltas. Nível Intermédio.

Sexta- feira 28 de 18.30 a 20h. Preço 22€.
Este dia o curso está dirixido a, de umha banda traballar determinados jeitos das informantes e por outra, a traballar recursos menos conhecidos do Maneo. Nível Avançado.

Ramón do Serrador – Bergantinham de origem, achega-se ao baile na procura de mais informaçom sobre as suas raizes familiares, já que cre na cultura local como forma de identificaçom e reconexom com o nosso e com nós mesmxs.

MARÇO

• Iniciaçom ao Samba no pé.
Segundas feiras de 21h a 22h. Preço 20€. Começo no dia 2.

Da mistura de ritmos africanos e europeus, o samba nasceu no Brasil e pode ser bailado de variados modos, dependendo da regiom e da situaçom. Aprenderemos no curso os passos básicos e algumas figuras do “samba no pé”, nome do estilo livre e improvisado de bailar o samba.

Márlio Barcelos – Brasileiro, professor de português, morador em Santiago de Compostela há mais de 5 anos e bailador desde criança.

• Percussom doméstica na provincia de Ourense
Curso dividido en 3 obradoiros que se podem realizar independentemente ou em bloque.
Preços:
1 Obradoiro/ 20€
2 Obradoiros/ 30€
3 Obradoiros/ 50€

1. “Um parece o cu do pote e outro o rabo da sartén” (Fumaces, Riós). Sábado 7 de 11h a 13h.
• caçola (tijola) e culheres
• jota, muinheira e agarrado (passo-doble)

2. Nom todo Aviom é Linhares. Sábado 14 de 11h a 13h.
• lata
• toques característicos de Rodeiro e Mangüeiro na jota e na muinheira

3. Mergullando-nos na Antela: A Limia – Alhariz. Sábado 21 de 11h a 13h.
• táboa de lavar a roupa e garrafa de anís
• jota, muinheira e valse

Xavi Castaña – Tivo o primeiro contacto com a pandeireta, o canto e o baile de mam de sua avoa em Fondodevila (Banhos de Molgas, Ourense).
Com 16 anos empezou a mover-se polo mundo dos fiadeiros e serans, fazendo recolhidas por Ourense (comarcas do Ribeiro e da Limia) e sur de Pontevedra, e aprendendo das senhoras de cada aldeia.
Foi professor de pandeireta e baile no centro sociocultural de Merí (Ourense)
Na actualidade dá aulas de pandeireta e pandeiro quadrado em Compostela.

Contra as pseudoterapias

14 de Janeiro de 2020

A Comissom de Cultura Científica da Gentalha do Pichel tem em andamento umha campanha de análise do fenômeno das pseudoterapias desde umha perspectiva crítica. A continuaçom oferecemos o texto de apresentaçom e, afinal, os textos específicos sobre diversas pseudoterapias, analisando os seus princípios e riscos associados ao seu uso. O primeiro deles trata sobre a acupuntura e já está disponível.

contra as pseudoterapias

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a gentalha do pichel polo direito à cidade

8 de Janeiro de 2020

O QUE ACONTECE COM A NOSSA CIDADE?

As turistas chegam, vem e marcham. Fam-no a milhares e a cada vez estám mais perto de ser o sujeito principal em que se baseará a vida social e económica da nossa cidade.
A zona velha já deixou de ser um espaço para a vizinhança compostelana e por diversos bairros agromam pisos turísticos ilegais que, ademais de lucrar-se de jeito irregular, criam problemas de convívio e transformam a vida na cidade.
Ademais, a especulaçom imobiliária está à espreita. As proprietárias de imóveis começam a calcular que será mais rendível o alugueiro para turistas do que para o estudantado ou a vizinhança compostelana. Os pisos bons reservam-se para os turistas, enquanto os mais velhos som para a gente jovem, que sofrem ademais o incremento dos preços produto da especulaçom imobiliária. Todo isto cria as condiçons ótimas para que estudantes e classes trabalhadoras fiquem expulsas do centro urbano.
Se isto acontece nos espaços privados, o espaço público está a ser objeto visível de massificaçom e privatizaçom. As praças enchem-se de terraços, passando o espaço público a ser fonte de exploraçom das empresas hoteleiras, um sector que virou fulcral na economia compostelana e em que se disparam os níveis de precariedade laboral. Por outra banda, a massificaçom, ademais da dificuldade de mobilidade, exprime-se também numha contaminaçom acústica e ruídos em horários de descanso da vizinhança.
A turistificaçom agride também a nossa língua, a nossa cultura ou a nossa identidade como galegas. Passear polas zonas mais turistificadas da zona velha de Compostela é constatar a desapariçom do galego e a presença de cardápios em espanhol, inglês e outras línguas do mundo. As lojas de souvenirs, ademais de merchandising religioso e do Caminho de Santiago, mostram umha visiom folclorizada da nossa cultura, com bruxas, queimadas, elementos de duvidosa influência céltica ou trajes ‘tradicionais’.

A TURISTIFICAÇOM EM NÓS

Conhecer outras culturas, ter experiências noutros países, mover-se polo mundo… som atividades que semelham imprescindíveis para umha cidadá cosmopolita do século XXI. Para quem conta com liberdade de circulaçom há linhas aéreas low-cost, estabelecimentos hoteleiros com ofertas especiais ou viagens já totalmente programadas com todos os lugares que a indústria do turismo considera de imprescindível visita. Viajar converte-se em consumir um espaço. Os lugares turistificados e as suas identidades convertem-se em objetos uniformizados para o seu consumo por pessoas ávidas de experiências, despreocupadas polo efeito que o seu passo polo lugar pode gerar nele.
Este nom é um rol do que nos vejamos isentas quando visitamos outros lugares. Para a indústria turistificadora, qualquer umha de nós pode resultar rendível se nos adaptamos às opçons de consumo que nos oferece. Também, a total mercantilizaçom do espaço urbano provoca que parte da populaçom dos lugares turistificados veja isto como a forma a partir da qual conseguir ingressos económicos. Ademais da já citada precariedade na hotelaria, aparecem pequenas iniciativas empresariais ou especuladoras que procuram tirar proveito do fenómeno turístico, nalgumhas ocasions como sustento económico e noutras como lucro.
A turistificaçom nom só nos rouba o espaço público e a convivência, mas também as ideias e as energias para criarmos laços de cercania, em comunidade e afastados do mercado.

DEFENDER A CIDADE

Luitar contra a turistificaçom é luitar por recuperarmos a cidade. Por fazermos de Compostela um lugar habitável para as que queremos desenvolver aqui as nossas vidas, as que nom vimos só para abraçar o santo e subir selfies às redes sociais. Defender Compostela da turistificaçom é defender o nosso direito à cidade. Umha cidade sustentável ecológica e economicamente, com ruas de uso público, que respeite o direito à vivenda de todas as suas habitantes… um modelo mui afastado dos planos da Junta da Galiza e do Concelho de Santiago.
Da Gentalha do Pichel queremos criar um espaço próprio do qual analisar esta realidade e as mudanças que estám a provocar na nossa cidade e nas nossas relaçons vizinhais. Nom temos que irmos muito longe, pois perto de nós agromárom nos últimos anos albergues para peregrins e alojamentos turísticos ilegais.
Ademais da reflexom, achamos também importante agir com a criaçom de um discurso público e atividades na rua. Umha açom que pode começar do mais cercano a nós para ir procurando alianças com mais vizinhas da cidade e espalhar a ideia de umha outra forma de viver a cidade.
E este trabalho apresenta urgência, pois ademais de todas as problemáticas expostas estamos às portas de um macroevento que pretende converter o nosso país numha maquina de atrair turistas, com o casco velho de Compostela como epicentro: o Jacobéu 2021. Se nom queremos ver a nossa cidade varrida polo consumo e o mercado cumpre organizar-se.
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GALIZA NOM ESQUECE. SÉRIE PRETA: FELIPE GIL CASARES (1877-1953)

23 de Dezembro de 2019

GIL CASARES, Felipe (1877-1953)

Licenciou-se em direito e foi catedrático de direito civil na universidade compostelana.

Foi alcaide de Compostela em duas ocasions, a primeira durante a ditadura de Primo de Rivera, em 1923 – 1924 e a segunda de novembro de 1930 a abril de 1931.

Logo de proclamar-se a República entrou em Acción Popular, partido que passou a fazer parte da Confederación Española de Derechas Autónomas (CEDA), coligaçom pola que saiu elegido deputado pola província da Corunha nas eleiçons gerais de 1933 e de 1936.

Quando se produziu o golpe de estado de 18 de julho de 1936, presentou-se ao comandante militar de Compostela José Bermúdez de Castro com 30 moços das Juventudes de Acción Popular (JAP), as juventudes da CEDA, armados para oferecer os seus serviços aos sublevados. Em novembro de 1936 foi nomeado reitor da USC, posto desde o que promoveu unha juntança de apoio aos sublevados entre os reitores da Espanha franquista dirigida à comunidade internacional.

Desde novembro de 1938 foi magistrado da Sala do Contencioso-Administrativo do Tribunal Supremo.

Morreu em Vila Garcia aos 76 anos de idade.80277289_2501263946810658_5742123068591964160_o