Pola Candelória… coplas do bom querer!

31 de Janeiro de 2019

POLA CANDELÓRIA…COPLAS DO BOM-QUERER!

É sabido que no 2 de fevereiro, o dia da 51074248_2263751287228593_5879640491116462080_oCandelória, médio inverno vai fora. Assi lémbrano-lo o refraneiro popular que com ditos como “Pola Candelaria casam os passarinhos e vai-se a galinhola”, ou “de Candelória em diante, ningumha ave voa soa”, reafirmam já os primeiros grumos da primavera e com ela, o triunfo da luz e do amor da mam da senhora da Luz, como é chamada a Candelória no norte de Portugal.

Muito se tem escrito, cantado e falado sobre o amor, e em muitas destas mensagens arraigou-se a crença de “quem bem te quere, fará-te sofrer”. O amor e a dor som cousas muito diferentes. Um relacionamento baseado na reciprocidade nom terá nunca na sua composiçom um aditivo tóxico nem venenoso.

Nom somos seres perfeitos e a nossa forma de querer também nom o é.

O amor nom é incondicional, ou nom deveria sê-lo: se nom há condiçons para amar, se amar doe, se nom nos tratam bem.. entom nom é possível construir umha relaçom amorosa. O amor autentico é terreal e precisa condiçons, quer limites e fronteiras que salvaguardar, quer espaços privados que respeitar e harmonias que manter en adequado equilíbrio.

O amor é umha forma de relacionar-nos com o mundo, por isso nom pode fechar-se num só relacionamento, nom podemos exigir a ninguém que alivie egoístas soidades nem cobra toda a nossa necessidade de afeto. Aprender a amar desde a liberdade, nom desde a necessidade.

Um amor que nom custa penas, um amor que vale as alegrias.

A nossa forma de amar é patriarcal, cada cultura constrói a sua estrutura emocional e os seus patrons de relacionamento desde umha ideologia concreta, por isso a nossa forma de amar é patriarcal e capitalista.

O patriarcado segue vivo nos nossos coraçons e tem umha boa saúde.  O “milagre” romântico ilha-nos das demais pessoas, mantém-nos enganchadas a umha utopia individualista e ilhadas de qualquer utopia social. Para o patriarcado nom há nada mais perigoso do que as mulheres unidas, alegres e empoderadas. Por isso é tam importante falar em termos políticos das nossas emoçons e relacionamentos.

Está é a revoluçom amorosa que se está a fazer desde os feminismos, umha revoluçom sexual, afetiva e de cuidados.  Esta revoluçom quere rachar com as luitas contra as mulheres, entre as mulheres e contra nós mesmas: aprender a querer-nos bem para poder amar às demais pessoas.

O verdadereiramente revolucionário será o dia que o amor rache a barreira do duo e poda expandir-se para cambiar toda a nossa forma de organizar-nos e relacionar-nos.

O  romântico é político, e é por isso que desde a Comissom de Cultura da Gentalha do Pichel, queremos resgatar aquelas coplas da nossa tradiçom oral transmitidas de geraçom em geraçom que falam do bem-querer, do amor como ferramenta maravilhosa para a transformaçom individual e coletiva, associadas a estes passarinhos que, com a chegada da senhora da luz começaram a anunciar a primavera com os seus chios.

 

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